Escuto o som do meu ventilador
Me salvando do calor
Me trás alívio, mas não
amor
Me trás vento, mas nada
de cor
Eu lembro que vivi
Mas agora eu sumi
Desapareci
Nunca existi
Eu era amada, ou achava
que era
Parecia ser real
Mas acho que me enganei
E agora eu sei
Uma dolorosa espera
Mas amor não era
porém eu
Eu sei que amei
Eu sinto um vazio
Um calor frio
Que faz o relógio
desacelerar
E tempo frear
Neste momento de nada
Águas passadas
Só restou o velho refrão
Eu e a solidão
No fim de semana
Eu tolero minha cama
Troquei meu colchão
Mas não o edredom
Limpei a parede
Alterei os espaços
Mas continuo sem abraços
Ainda sinto sede
Mesmo em companhia
Eu me sinto sozinha
Minhas histórias assustam
Eu vivo com filtros
Um leve sorriso
Quando é preciso
Porque falar de mim
É um poço sem fim
E melancolia
Não é boa companhia
Mas o paradoxo
É que me acostumei a ser
assim
Fugindo do barulho
Tirando o entulho
Me afogando em mim
Eu queria existir para
alguém
Que quisessem meu bem
Que lesse meu olhar de
dor
E visse o bem
Com a curiosidade de um
gato
vestisse meu sapato
Apesar do desconforto
E eu não tivesse que explicar
Porque sinto que sou difícil
de amar
Mas é um sofrimento belo
Não o rejeito nem o anelo
Pois algo tão singelo como
a solidão
Mexe e remexe o coração
E me lembra que ele bate
e algo quer me dizer
sobre o viver e o sofrer
sobre o sim e o não
sobre a cores do pôr do
sol
sobre o peixe e o anzol
sobre o começo e o fim
sobre o tudo e o nada
sobre minha respiração
sobre a letra da canção
sobre a poesia na solidão
sobre o frio da montanha
sobre a teia de aranha
Sobre o céu estrelado
dentro do coração quebrado
Eu olhava e não via
Eu falava e não sentia
Hoje embebo cachoeiras
Verdades verdadeiras
Uma névoa na estrada
Que segura minha mão
E me lembra todo dia
Que no meio à solidão
Eu sou amada
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