Bem vindos ao meu canto criativo. Não poder me expressar é quase sinônimo de não poder respirar.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

BURACO

 Existe um buraco entre o peito

Que não sente direito

Que sempre encontra um defeito

E não descansa no leito

 

O buraco é invisível

Mas alguém o cavou

Alguém te magoou

Abandonou

E foi imprevisível

Até inadmissível

 

Não deu tempo de se preparar

Para colocar algo no lugar

Self-help ou outro hobby

É impossível de enganar

Simplesmente apareceu

E você não mereceu

Mas o buraco agora é seu

 

Você pode decorar de flores

Ou de dores

Você pode fazer a cama

Ou rolar na lama

Não existe regra ou solução

Apenas um buracão

Um vazio temporário

Um espaço no armário

Que foi esvaziado

Roubado e dilapidado

Mal amado


Às vezes você escala um pouco

E vê um por do sol

Mas sem sentir o calor

Um sentimento louco

Às vezes você é um zumbi

Esquece que pode rir

Fica dentro de si

 

O buraco não é sua vida

Apenas uma estação

Um dor incabida

Dentro do coração

Um tempo de luto

E introspecção

 

Dê o tempo ao tempo

Lembre-se de outros momentos

Outros buracos

... Que hoje são refugio

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

ORFÃ

Hoje acordei orfã

Sem mãe nem pai

Sem lar, sem par

Sem centro ou fim

Apenas eu 


Tentei lembrar-me de mais

De amor e paz

De colo e aconchego

Beijo na testa

Bolo na festa

Mas fui incapaz

Foi ineficaz


Lembrei-me de sombras

Mentiras e fantasias

Fuga e choro

Indiferença

Invisibilidade

Mera existência

Uma memória cinza

Sem cor

Com pouco amor


Lembrei-me de moradias

Casas, calçadas e beliches

Àgua gelada, fetiches

Seres doentes na mente

Medo constante e eminente

Um jogo de sobrevivência

Uma efêmera existência

Um buraco escuro no fundo do baú


Uns vivem de memórias

De dias alegres e inocentes

Torrada, geleia e presentes

Calor e cuidado

Sono sossegado

Comida e carinho

De ter um ninho

De mãe e pai

Beijo de boa noite


Eu vaculho meu universo

Por túneis empoeirados

Lugares mal amados

Buscando os armários

Onde me escondia

No universo paralelo

De tudo que é singelo

Que outros enxergam como banal

Como apenas um dia


Ser órfã é um estado

Algo físico e pesado

Mesmo rodeada de entes

Continuo ausente


O que não foi nunca será

Mas o que é sou eu

Mesmo invisível, existo

E persisto


Eu lembro-me de mim

Meus pensamentos

Meus anseios

Minhas verdades

Nenhuma maldade

Pois como posso errar

Se ninguém pôde me ensinar?


Eu respiro vida, não memorias.

Respiro hoje, não ontem.

Amanha é mágico, novas histórias ...

Talvez não desapontem.

quinta-feira, 19 de março de 2020

ISOLAMENTO


A mesma cama, o mesmo lençol e sofá.
O alarme maldito que deixou de tocar.
Um almoço, um lanche, um jantar.

Não sei que horas são e nessas horas não importa.
Horas? Que tal dias? Encarando a porta.
Tanta vida presa, este apartamento comporta.

Dirigir... ah dirigir. Até mesmo fugir.
Só o pensamento me faz sorrir.
Mas a pergunta é: Para onde ir?

Lugar remoto. Que tal China?
Sinceramente, estou mais segura na esquina.
O inimigo invisível se esconde na neblina.

O perigo sempre foi fácil de ver.
Eu corro me escondo. Eu finjo não crer.
Ignoro se não há nada que se possa fazer.

Se tudo desmorona, eu corro na praia
Pego o carro e vou para gandaia.
Lugares abertos. É minha laia.

Mas grades? E portas? Por acaso sou culpado?
Pelo que me lembro, não fiz nada de errado.
Tudo que quero são pessoas do meu lado.

Silencio e ruído? Um eterno zumbido.
Se eu pudesse, já teria sumido.
Furtaram minha liberdade igual bandido.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

FELIZ?

Logo serei feliz
Feliz? Não sou feliz já?
Tenho amor e carinho
Um lar como um ninho
O que faltará?

Eu digo, o espaço
Sem estática e violência
A forçada dormência
que me força a segurar
para não chorar

Quando vier o espaço
A respiração sem ressalvas
A paz que me salva
Sentirei... e saberei
Que sou feliz
Mas precisava de espaço

Para sentir a felicidade

De verdade

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

NINHO

Ninho, ninho
Tão precário
No topo do pino
No começo do verão
Na estação de tormentas
Mas o ninho aguenta

O vento sacode
A brisa sopra
Tanto faz para o ninho
Ele dança do mesmo jeito
e não encontra nenhum defeito

Chega Natal, Ano Novo ou Aniversário
Tanto faz para o ninho,
Todo dia é dia de canto
De voo, de descanso

De todos os lugares para fazer seu ninho
Escolheste o topo do pino
Um pino magro, desfolhado
Altamente desprotegido
Por que? Querido pássaro?

Decerto, pela altura
Pela distância, não pela abastança
Perigo há em qualquer lugar
Mas não esta vista 
Este sentimento de afastamento
Esta paz que vem por estar tão perto do céu

O ambiente te protege
E se chegar tua hora, será bela

Ninho, ninho; como te quero.
Te prezo com carinho.

Você é meu herói. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

King of Prepositions

In the midst of the silence
On the top of the hour
At the end of the sentence
With a pinch of irony
From the corner of the land
Into the center of my anger
Without any scruples
Under blankets of protection
Outside the realm of my safe spot
Near the unanswerable questions
Over layers of damaged goods
Behind the cover of darkness
Between forces past and present
Following many fingers typing
Around fountains of evasiveness
Before thought can be of service
After words become enigma
Beneath rubbles of constructed peace
Against most odds, oddly enough
…. There you are
King of all prepositions
Never repeating a word
Never forgetting a sentence
Never answering questions

But not saying never… just not saying anything at all

sábado, 4 de junho de 2016

A VIDA

A vida tem um padrão
Um sim e um não
Um arroz com feijão
Um samba canção

A vida tem um ritmo
Uma batucada
Uma nota errada
Uma desafinação
E a canção fica estragada

A vida é metida
Finge que sabe
Mas vive perdida

A vida não mente
Mas é incapaz
E saber o que sente
Uma doente em recuperação
Sempre sofrendo de dor no coração
Sempre buscando uma solução

A vida é indiferente
Incoerente
Envolvente
Aguardente

A vida é um cobertor
As vezes te aconchega
Ou te mata de calor
Te afoga no ardor
Te afaga em amor
Te enlaça na paixão
Te circunda na solidão
Te apresenta o vocábulo “não”

A vida te fascina
Ao virar de cada esquina
Cínica e brincalhona
Trapaceira e inocente
Uma eterna concorrente

A vida é incompreensível
Não existe manual
Não me leve a mal
Mas se quer saber
A “vida” só pode ser mulher
É a única explicação
Para tanta contradição