Bem vindos ao meu canto criativo. Não poder me expressar é quase sinônimo de não poder respirar.

quinta-feira, 19 de março de 2020

ISOLAMENTO


A mesma cama, o mesmo lençol e sofá.
O alarme maldito que deixou de tocar.
Um almoço, um lanche, um jantar.

Não sei que horas são e nessas horas não importa.
Horas? Que tal dias? Encarando a porta.
Tanta vida presa, este apartamento comporta.

Dirigir... ah dirigir. Até mesmo fugir.
Só o pensamento me faz sorrir.
Mas a pergunta é: Para onde ir?

Lugar remoto. Que tal China?
Sinceramente, estou mais segura na esquina.
O inimigo invisível se esconde na neblina.

O perigo sempre foi fácil de ver.
Eu corro me escondo. Eu finjo não crer.
Ignoro se não há nada que se possa fazer.

Se tudo desmorona, eu corro na praia
Pego o carro e vou para gandaia.
Lugares abertos. É minha laia.

Mas grades? E portas? Por acaso sou culpado?
Pelo que me lembro, não fiz nada de errado.
Tudo que quero são pessoas do meu lado.

Silencio e ruído? Um eterno zumbido.
Se eu pudesse, já teria sumido.
Furtaram minha liberdade igual bandido.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

FELIZ?

Logo serei feliz
Feliz? Não sou feliz já?
Tenho amor e carinho
Um lar como um ninho
O que faltará?

Eu digo, o espaço
Sem estática e violência
A forçada dormência
que me força a segurar
para não chorar

Quando vier o espaço
A respiração sem ressalvas
A paz que me salva
Sentirei... e saberei
Que sou feliz
Mas precisava de espaço

Para sentir a felicidade

De verdade

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

NINHO

Ninho, ninho
Tão precário
No topo do pino
No começo do verão
Na estação de tormentas
Mas o ninho aguenta

O vento sacode
A brisa sopra
Tanto faz para o ninho
Ele dança do mesmo jeito
e não encontra nenhum defeito

Chega Natal, Ano Novo ou Aniversário
Tanto faz para o ninho,
Todo dia é dia de canto
De voo, de descanso

De todos os lugares para fazer seu ninho
Escolheste o topo do pino
Um pino magro, desfolhado
Altamente desprotegido
Por que? Querido pássaro?

Decerto, pela altura
Pela distância, não pela abastança
Perigo há em qualquer lugar
Mas não esta vista 
Este sentimento de afastamento
Esta paz que vem por estar tão perto do céu

O ambiente te protege
E se chegar tua hora, será bela

Ninho, ninho; como te quero.
Te prezo com carinho.

Você é meu herói. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

King of Prepositions

In the midst of the silence
On the top of the hour
At the end of the sentence
With a pinch of irony
From the corner of the land
Into the center of my anger
Without any scruples
Under blankets of protection
Outside the realm of my safe spot
Near the unanswerable questions
Over layers of damaged goods
Behind the cover of darkness
Between forces past and present
Following many fingers typing
Around fountains of evasiveness
Before thought can be of service
After words become enigma
Beneath rubbles of constructed peace
Against most odds, oddly enough
…. There you are
King of all prepositions
Never repeating a word
Never forgetting a sentence
Never answering questions

But not saying never… just not saying anything at all

sábado, 4 de junho de 2016

A VIDA

A vida tem um padrão
Um sim e um não
Um arroz com feijão
Um samba canção

A vida tem um ritmo
Uma batucada
Uma nota errada
Uma desafinação
E a canção fica estragada

A vida é metida
Finge que sabe
Mas vive perdida

A vida não mente
Mas é incapaz
E saber o que sente
Uma doente em recuperação
Sempre sofrendo de dor no coração
Sempre buscando uma solução

A vida é indiferente
Incoerente
Envolvente
Aguardente

A vida é um cobertor
As vezes te aconchega
Ou te mata de calor
Te afoga no ardor
Te afaga em amor
Te enlaça na paixão
Te circunda na solidão
Te apresenta o vocábulo “não”

A vida te fascina
Ao virar de cada esquina
Cínica e brincalhona
Trapaceira e inocente
Uma eterna concorrente

A vida é incompreensível
Não existe manual
Não me leve a mal
Mas se quer saber
A “vida” só pode ser mulher
É a única explicação
Para tanta contradição

domingo, 8 de maio de 2016

A PAUSA

Loucuras loucas
Vozes roucas
Boas e poucas
Depois a pausa

Barulhos barulhentos
Humores rabugentos
Pensamentos sedentos
Logo a pausa

Lagrimas intrusas
Ideias confusas
Palavras difusas
De repente a pausa

A alma descansa
Renova-se a esperança
Organizam-se as ideias
Desfazem-se as teias
Escrevem-se os poemas
Resolvem-se os dilemas
Respiram-se os alentos
Refrescam-se os ventos
Dorme-se uma soneca
Joga-se uma peteca
Lembra-se da essência
Aprende-se paciência

A pausa termina
Se aperta o play


“Have a nice day”

quarta-feira, 13 de abril de 2016

DES-DESCULPAS

Se te amei demais, me desculpe
Não foi minha intenção
São apenas emoções
Reações
Químicas
Matemáticas
Nada diplomáticas

Se te amei demais, me desculpe
Alguém precisava sentir
algo nesta relação
senão
o que era?
oração sem verbo?
Bolo sem açúcar?
Adolescente sem celular.
Macarrão sem molho.

Se te amei demais, me desculpe
por querer uma segurança
Um toque
Uma surpresa
Um carinho
Um algo

Se te amei demais, me desculpe
Por ser apenas humana
Não insana
Sentimental
Emocional
Mulher

Se te amei demais, me desculpe
Por cuidar bem de você
Por chorar e sofrer
Por desejar
Dormir e acordar
em amor pacificado
doado
reciprocado

Se te amei demais, me desculpe
E te perdoo por ter me amado de menos,
Ou pior
Por eu ter que viver
Sem saber
Se você algum dia me amou

PS: Retiro minhas desculpas.
Se te amei demais...
de nada.